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A busca da beleza

Quem de nós nunca se pegou olhando o reflexo do espelho, vendo uma ruguinha aqui, percebendo uma manchinha ali? Quem nunca se incomodou de não entrar mais naquela calça jeans tão bonita?

Dieta saudável, exercícios físicos, tratamento dermatológico, cirurgia plástica. Quantos são os recursos de que dispomos hoje para nos mantermos saudáveis e bonitos!

Porém, parece às vezes que todo o arsenal de tratamentos não é o suficiente. Algo dentro de nós quer mais. Queremos aquela pele e aquele corpo que tínhamos antes!
Envelhecer deixa de ser algo bom e passa a ser um pesadelo.

Por que às vezes somos tão difíceis de satisfazer? Alguns pensam que é uma exigência da sociedade. Afirmam que hoje vigora a ditadura da beleza: quem não atende aos padrões, não conhece os últimos recursos, não usa a cor da estação fica para trás.

Entretanto, se a sociedade é constituída por pessoas, somos nós mesmos que fazemos essas exigências, às vezes de maneira declarada, ao seguirmos à risca as tendências ditadas pela mídia, às vezes mais sutilmente, ao nos envergonharmos de não estar dentro dos padrões gerais.

Se é assim, por que fazemos exigências que depois voltam para nos oprimir? Parece que a resposta está na palavra da moda: “novo”. O que é novo é esperado,
aparenta ser melhor. Acabamos depositando muita expectativa nas coisas novas, achando que elas vão evitar as nossas angústias e solidão. Só que o novo não vem sozinho.
Como o alívio da angústia dura pouco com a nova aquisição, tudo passa rapidamente a obsoleto e descartável, incluindo os relacionamentos.

Mas e as nossas necessidades de amor, confiança e relacionamentos duradouros? Pois é. Elas não são satisfeitas pelo novo e pela paixão, pois exigem tempo e maturidade. Sim, maturidade! Ironicamente, o novo buscado para nos aliviar acaba por nos deixar mais vazios e frustrados.

O que podemos fazer quanto a isso? Penso que não se trata de abandonar o novo e a tecnologia, muito pelo contrário. Viver mais e melhor sempre serão metas muito valorosas da humanidade. A questão é saber se faremos uso desses recursos para complementar a busca de uma beleza interna, que demanda tolerância e aceitação dos nossos limites, dos limites dos outros e da própria vida, ou se eles servirão como uma tentativa desesperada de negar e fugir de tudo isso.

Investir no amor, nos relacionamentos, buscar se entender e tentar tolerar dão trabalho. Mas não desanimemos! Se prestarmos bem atenção, veremos que temos muitas companhias para trilhar conosco essa aventura.

 

Ramon Castro Reis
Psiquiatra e Psicoterapeuta

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